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Moda rápida: velocidade não é tudo

Na hora de criar a estratégia de venda dos seus produtos, a moda rápida aparece como uma boa alternativa, devido à sua rapidez e dinamismo. Mas será que apenas lançar rapidamente seus produtos faz com que você tenha sucesso?

Você encontrará a resposta para isso a partir de agora! Iremos abordar a forma como o fast fashion deve ser aplicado, comparando sua utilização com a venda de moda nos supermercados. Como essa prática é uma tendência, veremos os erros que existem ao criamos moda rápida sem observar detalhes importantes. Preparado? Vamos lá!

Moda nos supermercados tem dado certo?

Em 2016 a rede de supermercados Extra anunciou uma remodelagem dos seus negócios, o que incluiu a adesão do comércio têxtil como produto. Na época, os testes indicavam que as lojas com essa modalidade aumentaram suas vendas em 20%, o que demonstra a eficácia da metodologia.

Um dos elementos que atrai os consumidores para fazerem compras de roupas nos mercados é o preço. Como não existem lojistas e aluguéis como nos shoppings, os custos podem ser diminuídos. Isso gera produtos com grandes descontos quando comparados com os shoppings. Estima-se que o custo dos produtos seja até 30% menor do que os que são comercializados em centros de comércio.

Supermercado e magazines vendem de forma igual?

Quando observamos a forma de comércio que os supermercados fazem ao vender moda, logo achamos que eles utilizam o conceito de fast fashion. Mas analisando algumas das práticas, podemos perceber que não é bem assim. Não só isso, mas podemos tirar insights do que não fazer na hora de vender moda rápida.

moda rápida
Figura 1 – Como aplicar da forma correta a moda rápida?

Talvez o principal ponto que nos faça ter essa percepção seja o fato de os supermercados disporem seus produtos de moda assim como os grandes magazines fazem. Supermercados e lojas como Renner e C&A possuem um design semelhante na exibição dos produtos.

Há também a velocidade nos lançamentos, algo que define a moda rápida. Os ciclos da moda comercializada em supermercados também costumam ter alta rotatividade, chegando até a renovações a cada 15 dias. Mesmo com as semelhanças citadas, não podemos colocar as duas modalidades no mesmo segmento. E vamos explicar o porquê.

Supermercados e magazines são coisas diferentes

Por mais que as semelhanças passem a impressão de que os supermercados usam a moda rápida, é fácil perceber as diferenças. Podemos perceber que a experiência de compra nos supermercados é, de certa forma, banalizada. O foco dos estabelecimentos é o de fazer o cliente comprar a roupa pelo produto final, não havendo qualquer valor agregado.

No caso dos magazines, a ideia é a de privilegiar a experiência de compra. Para isso existe todo um trabalho na exposição das lojas, trabalhando em conjunto com redes sociais e campanhas online. Como a estratégia não é focada no preço, obtém-se um campo maior de ações para entregar um produto com grande valor para o cliente.

Com tudo isso, os magazines conseguem entregar para o cliente final mais informações de moda. Ao invés de apenas comprar um produto, o consumidor tem atrelado um valor que pode influenciar sua compra. Muitas pessoas compram produtos devido às tendências de moda da época. Nos magazines isso acaba sendo mais fácil de acontecer.

Moda não é apenas velocidade de lançamento

Por mais que a ideia de moda rápida seja algo que representa rapidez, não é apenas de velocidade que a moda vive. Mesmo no caso de fast fashion é necessário coordenar a forma como as informações são apresentadas ao cliente, para que haja uma construção de valor com o produto.

Isso envolve o branding da coleção, a forma como é divulgada, as praças onde é vendida e o preço praticado. Mais do que rapidez, é necessário criar toda uma caracterização ao produto, algo que o cliente consiga enxergar e valorizar.

Figura 2 – Sabe os problemas da ‘moda de supermercado’

Um exemplo que podemos ver é o da Zara no mercado brasileiro, que criou um produto caracterizado como de alto padrão, tendo ciclos de atualização rápidos (cerca de 15 dias) e uma identidade conhecida por uma boa parcela da população. Quando se fala de Zara, logo as pessoas associam o produto à qualidade e tendência.

Moda rápida: o que evitar

Sabendo que os supermercados não são o melhor expoente da moda rápida, o que podemos aprender com seus erros?

Organização

Mesmo que a disposição dos produtos seja parecida com a dos magazines, existe um grande pecado cometido pelos supermercados: a falta de organização. Não estamos dizendo que existem produtos no chão ou amassados, mas uma falta de separação e apresentação adequada.

Como o foco dos supermercados é simplesmente a venda do produto, tende-se a dispor os produtos que precisam sair mais rápido à frente dos demais. São criados inúmeros looks que geram a intenção de compra do ‘kit completo’ pelo consumidor. Isso é ruim, porque os padrões básicos de moda não são seguidos.

Além de não haver divisões comuns, como roupas para lazer de um lado e roupas de trabalho para outro, os looks criados não possuem padronização ou coerência. Isso passa uma imagem de certo desleixo para o consumidor mais qualificado.

Sendo assim, é bom prestar atenção na hora de dispor as mercadorias. Sendo loja física ou e-commerce, os produtos devem seguir um padrão de exibição. Looks devem ser montados respeitando tendências. Não adianta misturar linhas e produtos num mesmo look apenas para vender.

Se você quer criar valor ao seu produto, é necessário entender o que está acontecendo no mercado e seguir suas tendências.

Atendimento

Como o foco dos supermercados é a venda de bens perecíveis, os setores de roupas geralmente não possuem funcionários. Se o cliente precisa de atendimento, ele precisa procurar por alguém de outro setor. Logo, não há qualquer tipo de consultoria sobre a escolha das roupas.

A lição que pode ser tirada disso é que o atendimento é sempre algo a ser priorizado. Clientes gostam de atenção, de serem ouvidos e de terem o que procuram. Por isso, invista num atendimento personalizado e de qualidade, mesmo que seu negócio seja online.


Confira também: Como criar um produto de moda?


Isso vai gerar empatia no consumidor, que verá sua marca de forma diferente. Conquistar o cliente é o caminho que pode trazer maiores lucros ao seu negócio, permitindo até mesmo uma margem de lucro maior, já que o consumidor admira sua marca e atendimento.

Segmentação

Supermercados não costumam ter um público-alvo definido. Eles atendem, geralmente, toda e qualquer pessoa que visite o estabelecimento, focando apenas no poder aquisitivo de sua clientela. Supermercados em regiões nobres tendem a ter produtos mais caros e importados, por exemplo.

Na hora de vender as roupas, essa segmentação continua. Como o foco não está em determinadas idades ou linhas de produto, acaba-se ofertando muito, mas com pouco direcionamento. O resultado disso são gôndolas lotadas de produtos variados, sem nenhuma curadoria ou determinação.

Na hora de investir em moda rápida, deve-se saber definir seu público-alvo e vender aquilo que ele procura. Como falamos no texto sobre planejamento de coleção, é necessário conhecer seu público e não criar coisas que ele não consumirá.

Se o seu caso é de um magazine, ainda você deve saber qual é o público que deseja focar. Havendo uma segmentação mais aberta, como de crianças a idosos, seu estabelecimento deve separar bem cada produto. Isso faz com que o consumidor saiba aonde deve ir, fazendo-o se sentir bem.

Tem dúvidas sobre moda rápida?

Como você pôde ver, não é só de velocidade que a moda vive. Além dela, é necessário valorizar seu produto, criando toda uma operação que entregue uma experiência diferenciada ao cliente. E conseguir isso não é fácil, nós sabemos. Por isso queremos te ajudar!

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Mais do que dicas, podemos te assessorar da maneira que você precisar. Conte com nossos serviços e temos certeza que os resultados serão satisfatórios.

Se tiver outras dúvidas em geral, envie para nós pelos comentários abaixo.

Sobre Luiza Freitas

Co-founder e Presidente da Fashion Office Especialista em Planejamento e Gestão da Coleção

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