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O “Made in Brazil” vai desaparecer?

Se existe algo que incomoda os produtores de moda brasileiros, isso é o mercado externo. Por mais que existam taxas para produtos importados e outros meios de proteção da indústria nacional, sempre bate o receio de perdermos espaço para a aquilo que vem de fora do país. Principalmente para quem trabalha com o conceito de made in Brazil fashion.

E este sentimento acaba se intensificando quando enfrentamos crises, como as que o Brasil tem se habituado nos últimos anos. Mas será que isto é um sinal de que o made in Brazil fashion está com os dias contados? É o que veremos agora! Confira aqui quais são os pontos fortes do mercado brasileiro, o que tem feito o made in Brazil perder espaço e qual nossa opinião sobre.

O que faz o mercado nacional ter medo

Em meados de 2017 saiu uma notícia no Brasil informando que aumentou o consumo de produtos importados. Logo ocorre aquele receio de que o mercado pode continuar seguindo nessa tendência, já que um aumento do consumo de produtos importados é tudo o que os produtores nacionais menos querem.

made in Brazil fashion
Figura 1 – Importações tem seus problemas

Além disso, quem trabalha com made in Brazil acaba por ficar ainda mais preocupado,  já que as notícias informam que no setor têxtil também houve um aumento nas importações. Isso faz aquele sinal amarelo ligar e repensarmos: será que a indústria 100% nacional está prestes a desaparecer?

Por mais que este medo exista, ele não faz sentido, e vamos te mostrar os três principais motivos pelos quais acreditamos nisso! Confira nos tópicos abaixo.

Motivo nº1: Velocidade do Consumo

Por mais que tenha havido um aumento nas importações e uma queda nas exportações, isso não significa necessariamente que importar seja melhor para o mercado. E isso pode ser exemplificado por números.

Logística e timing

Quando se faz a importação de itens de vestuário, o tempo mínimo de chegada no país fica em torno de 60 a 90 dias. Prazo este que pode aumentar caso haja problemas na alfândega ou com a entrega na loja. Ou seja, trabalhar com produtos importados é um caminho pedregoso e que nem sempre vale a pena.

Hoje, com as redes sociais, o timing da moda para o consumidor é muito menor do que antigamente. No passado as pessoas consumiam tendências de moda pela TV e outras mídias tradicionais, e não se importavam se aquelas peças demorassem para aparecer  em suas lojas favoritas.

Atualmente as pessoas sabem das novidades no momento em que elas são lançadas, e querem de alguma forma ter acesso àquilo. Se sua marca quer estar ‘em dia’ com seus clientes, é necessário dar a eles aquilo que eles procuram e quando procuram.

Fast Fashion Nacional

Uma das estratégias que têm sido usadas para alavancar o made in Brazil é o investimento em fast fashion, conceito que estamos sempre falando por aqui. Neste caso, quando a marca opta pelo fast fashion, os produtos são produzidos com uma alta frequência de lançamentos e um número de modelos reduzido na coleção, atendendo seus clientes de uma forma mais assertiva e veloz.

O resultado só pode ser um: sucesso! Um dos grandes cases que podemos citar é o da Riachuelo, que conseguiu chegar ao topo do setor vestuário nacional investindo no mercado interno. Ao invés de simplesmente focar em custos menores através de importação, a empresa optou pelo made in Brazil aliado ao fast fashion.


Confira também: Como criar um produto de moda?


 

Com isso a empresa conseguiu chegar a um faturamento de R$4,5 bilhões anualmente. Não parando nesta estratégia, a empresa tem planejado continuar investindo no fast fashion com fabricação nacional, mostrando como a dupla funciona bem. A ideia é atingir o segmento premium desta vez.

Motivo Nº 2: Terceirização

A terceirização é uma das principais formas de produzir moda, seja made in Brazil ou não. Isso porque é uma forma de produzir que entrega vantagens para marcas, principalmente quando são novas. E essa característica é uma das que mais pode atrapalhar na hora de trabalhar com produtos importados.

Isso acontece porque lidar com terceiros exige prazos curtos e com margens. Quanto mais parceiros temos, mais existe a chance problemas no processo de criação e produção. Se já é difícil trabalhar com fornecedores nacionais, imagine com empresas de fora.

E não adianta pensar que isso é algo exclusivo de marcas novas ou pequenas. Até mesmo as grandes marcas têm aderido à terceirização. Atualmente as marcas mais conhecidas não produzem uma peça sequer, sendo detentoras apenas do conceito original do design da coleção. Toda a modelagem e produção é terceirizada.

Não importa se sua marca trabalha com produtos importados ou produzidos no Brasil, o resultado de trabalhar com fornecedores nacionais sempre será melhor quando houver a necessidade de acompanhamento presencial, ou seja, quando a marca ainda não possui processos claros e formalizados de desenvolvimento e produção e precisar fazer parte do dia a dia do fornecedor. Infelizmente esse cenário é muito comum nas empresas de moda, o que acarreta em um aumento dos riscos de contar com produtos que precisem vir do outro lado do mundo ou mesmo passar pela alfândega.

Figura 2 – Trabalhar localmente é melhor para sua empresa quando necessário o acompanhamento presencial do fornecedor

Motivo Nº 3: Consciência do consumidor

Hoje existe um grande combate popular contra as más condições de trabalho que muitos trabalhadores do setor têxtil passam. Através de sites e aplicativos é possível saber quais marcas tem mão de obra análoga à escravidão, o que mostra como o consumidor está atento à origem dos produtos que consome.

Isso é uma vantagem para quem investe em made in Brazil. Como a clientela quer conhecer de onde seu produto vem, ela tende a olhar com mais carinho para marcas que produzem localmente. Quando sua marca produz no Brasil, isto mostra para o cliente que existe uma preocupação com o país.

Até mesmo uma preocupação maior com o consumidor. Quando produtos são criados no mesmo país de venda, é mais fácil atender o que o cliente quer, porque quem cria está perto de quem compra. Diferentemente de produtos importados, que geralmente são feitos para um outro tipo de mercado.

No entanto, isso não significa que quem produza nacionalmente pode fechar os olhos para as condições em que seus fornecedores trabalham no Brasil. Há muitos casos conhecidos de trabalho irregular na indústria têxtil nacional e isso deve ser levado em consideração na escolha do seu fornecedor.

O Made in Brazil fashion vai desaparecer?

Nossa resposta é: não! Pela forma como enxergamos o mercado, não acreditamos que o “Made in Brazil”, ou Feito no Brasil, irá acabar. O que vemos é que esta prática está se reinventando para uma nova era em que os consumidores serão mais exigentes com as marcas e as informações serão mais transparentes.

Logo, vale a pena investir em made in brazil! Não se atente apenas à situação atual do mercado, mas busque entender as tendências que o guiarão nos próximos tempos.

Como investir em Made in Brazil?

Se você se interessou pelo mercado de produtos feitos no Brasil e quer saber como criar uma marca, coleção ou produtos 100% nacionais, entre em contato conosco! Estamos aqui para ajudar a sua marca a se desenvolver, independente do tipo de atuação que ela possui.

Para maiores dúvidas, entre em contato pelo nosso e-mail.

 

Sobre Luiza Freitas

Co-founder e Presidente da Fashion Office Especialista em Planejamento e Gestão da Coleção

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